Rascunhos


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Meu cobertor ainda tinha seu cheiro quando o peguei no fundo do guarda-roupa. Lembrei do dia em que você me disse que me amava pela primeira vez. Eu devia ter contato todos outros 'eu te amo' a partir deste, ou pelo menos ter dado mais importância a eles. Se eu soubesse que um dia existiria um último, talvez não precisasse tanto escutar sua voz dizer essas três palavras novamente.

Eu aposto que a essa hora você está sentado em frente à sua janela, apreciando as ondas do mar. Lembro de ficar admirando seu rosto enquanto a luz da lua iluminava seus olhos. Às vezes, me chamava para sentar em seu colo e pousava sua mão em minha coxa. Eu o cercava com meus braços e vez ou outra acariciava seu cabelo. Poderia ficar ali para sempre sem reclamar.

Quando havia conversa, só sua voz aparecia. Falou mil e uma vezes sobre um futuro nosso, não tão distante assim. Nos levou para a Europa, para a América do Norte e uma vez até disse que iríamos para um lugar excêntrico, só por ir. De um apartamento em frente a praia, você nos mudou para um maior no centro da cidade. De um relacionamento casual, nos transformou em marido e mulher. Com filhos, cachorros e uma casa no campo para passar as férias.

Agora era tudo distante, tão distante quanto o futuro que você desenhou para nós. Nunca dei importância aos seus planos. Na verdade, não sentia que isso iria acontecer comigo algum dia. Até ontem, eu era só uma garota egoísta e sozinha vagando pelo mundo. Aí você chegou, adicionou sua vida à minha e criou planos para nós. Hoje posso entender o quanto eu estava envolvida neles, só depois que você apagou todos os rascunhos antes de torná-los reais.

Deitei na cama, enrolada no cobertor que ainda guardava seu perfume. Talvez fosse alucinação minha, mas ele estava em todos os lugares por onde você passou. Eu te sentia, mais por dentro que por fora. Meu coração ainda batia acelerado só de escutar seu nome. Ou de te ver na padaria, comprando os mesmos cinco pães "bem torradinhos". Abracei o travesseiro querendo sentir não só seu cheiro, mas você.

Eu nem sei mais quanto tempo se passou até, finalmente, dormir. Nos meus sonhos, lá estava você. Como sempre, o protagonista das minhas histórias e devaneios. Enquanto acariciava meu rosto, dizia que estava tudo bem. Que nossos planos seguiram em frente, no mesmo caminho. Era como se você tivesse razão por alguns instantes. Pelo menos até eu acordar e perceber que os rascunhos ainda permaneciam intactos. Parados. Intocados. E sem previsão de deixarem de ser apenas esboços.

Sessão de fotos por Santeh Photografy (parte III)


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Em todos os posts com as fotos tiradas pelo estúdio Santeh Photografy eu contei alguma história sobre mim, lembram? Falei da minha paixão pela fotografia e sobre minha história com os óculos. Desde o começo eu quis trazer experiências que tivessem melhorado meu jeitinho de me enxergar e me aceitar. Quando olhei essa última parte da sessão, vi tanta coisa que mudou em mim que não poderia falar de outro tema a não ser... Adivinhem? Autoestima.

Eu já contei para vocês no perfil do blog que eu era uma garotinha tímida, quatro olhos e gordinha. Eu não aceitava bem o meu corpo e isso prejudicava a forma como eu me via. Por usar óculos e ser 'acima do peso', os coleguinhas faziam brincadeiras. Por esse motivo, tinha poucos amigos e não era de conversar muito com as pessoas. Talvez fosse algum complexo ou medo de não ser aceita pelo outro por ser fora do 'padrão'.

Quando crianças, isso influencia muito nossa vida. Nessa idade nós não entendemos ainda que ser diferente não é um problema nem defeito. Nós queremos estar com as outras crianças, queremos fazer parte de algo, brincar com alguém e até dividir o que temos. Não queremos estar sozinhas. E se afastar do mundo, seja por qual motivo for, não faz bem pra ninguém. Os 'danos' podem demorar para serem revertidos, isso se forem.

A mudança tem que vir de dentro de nós, aos poucos mesmo. Ela só começa quando nos aceitamos do jeito que somos. Eu peso em torno de 65kg, uso 42 e calço 38. Sou fora do padrão magérrima e top model, mesmo. Não ligo de ter saído da fase em que meu manequim era dois números a menos. Aliás, quer saber de uma coisa? Ele não me faz falta nenhuma! Sou bem mais feliz agora.

A verdade é: sempre vai ter alguém para apontar que você está assim ou assado. Vão querer te dizer o que vestir, o que não vestir, como agir e como fazer tudo. Só depende de você escolher se vai dar ouvido a todo mundo ou ao seu coração.

Esse look das fotos é cheio de coisas que eu não vestiria antes. A saia é bem mais curta do que a Juliana de 15 anos usava porque mostra as coxas que sempre quis esconder. A cropped seria deixada de lado porque mostra a barriga que a Ju de cinco anos atrás nunca aceitaria (ou simplesmente nem apostaria na peça porque os outros acham que só magérrimas podem usá-la). O óculos e a boina seriam muito 'chamativos' pra mim. E por aí vai.

Quis aproveitar a última parte da sessão de fotos feita pelo Santeh Photografy para dizer que nós podemos ser quem queremos, independente do que vão achar. Eu posso mostrar minha barriga imperfeita. Posso usar meu batom favorito. Posso vestir uma peça diferente. Eu posso. Você também. O primeiro passo é se aceitar e, acima de tudo, se amar. Acredite em mim: quando isso acontece, muita coisa muda. Pra melhor.















A sessão aconteceu no Horto Municipal de São Vicente e foi bem divertida. O pessoal do Santeh e eu chegamos lá por volta das 10h e me senti muito a vontade com eles, até mesmo para escolher e levar minhas roupas. As fotos foram editadas pelo próprio estúdio e eu adorei os efeitos. Ah, também ganhei um making of super fofo. Dá para vocês sentirem um pouquinho como é ser modelo por um dia, ó:

Boatos que não acabou por aí, viu? O Santeh Photografy e eu preparamos uma surpresa muito legal pra vocês. Não posso contar ainda o que é, mas acho que vocês vão curtir bastante! Enquanto ela não sai, curtam a fanpage do estúdio para conferir o que nós estamos aprontando! ;)

E vocês? Curtiram a última parte da sessão? Qual foi a que mais gostaram? Comentem aí!